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fadomenor

Lembranças tuas

por fadomenor, em 17.03.15

Tenho saudades que me gritam ao ouvido, que me tatuam na pele lembranças tuas.

Deitam-se comigo na cama e procuram enganar-me.

Riem.

Exalam o teu perfume, desenham a tua silhueta e não me permitem esquecer-te.

Lançam-me feitiços.

Choram.

E assim passo, os dias, penosos, com elas, vivas sombras, vivas lembranças tuas.

Madalena

por fadomenor, em 24.10.14

Um cheiro a terra molhada invadiu toda a Terra, voavam frenéticas todas as aves, até que por fim desapareceram, para nunca mais voltar.
A brisa era quente e reconfortante.
E ali estava ela, Madalena, fora Deus, pai de Jesus e dos pedófilos, dos assassinos e dos profetas, que a escolheu.

Jorrava lágrimas que criaram novos oceanos.

Não se prepararam as arcas, ninguém se salvou. 

Madalena entoava cânticos hipnotizastes, ria.
E assim devagar, a terra se tornou um ponto.

Na flor

por fadomenor, em 09.10.14

Estavas deitada numa flor, com o cabelo carregado de pólen.
O teu vestido era azul, distinto do azul do céu, diferente do azul do mar. Azul.
Revelaste os teus seios, tive vontade de morde-los, suga-los, leva-los comigo.
Corei.
Entregaste-te me tudo, entregaste-te toda, nua, morena, minha.
Ali nos amamos na flor, numa madrugada sem pressa.
Bebemos o vinho das uvas mais doces.
Cantamos aos deuses e ao sol.
Ali nos amamos, na flor.

(Troikas)

por fadomenor, em 19.09.14


Fui Camões?
Para agora contar os tostões?
Fui Inês?
Choro Pedro outra vez?

Sou Pessoa, 
Esta política já me enjoa!
Sou Florbela,
Estou farto desta novela!

Sou de Jobim,
Sou da Cesária,
Sou samba, morna e fado.
Sou.

Sou o cravo,
O Abril corajoso.
Sou.

A3

por fadomenor, em 10.09.14

Cabeça a minha!

Tenho um amor e não sei onde o pus.

Viste-o?

Ia jurar que o tinha deixado aqui, bem encostado ao coração, junto dos outros.

Será que o perdi?

Alguém o terá levado?

Injusto, era meu.

Se alguém o vir, o meu amor pequeno e azul, que lhe diga que ainda moro na Sé e que o espero pra jantar.

Tenho

por fadomenor, em 09.09.14

Tive uma avó.

Cheirava a cominhos e a salsa pois era comadre das panelas.

Confundia o nome dos netos e tinha um vocabulário próprio de avó:

- Não bulas nisso que te trilhas, dizia.

 

A minha avó era grande, muito maior que a sua altura e mesmo encerrada em vestes pretas, tinha mais cores que o arco iris.

 

Rezava o terço, ia à missa, mas acho que Deus se esqueceu dela, deveria ter rezado mais, mais alto?

No Verão, madrugávamos e íamos a romarias vender.

Aprendi com ela muitas artimanhas. Recordo-as.

 

O cancro malandro, roubou-lhe a mama e o cabelo.

Vestiu um lenço na cabeça, depois orgulhosa uma peruca.

Continuava a ter sorrisos, moedas para gelados, pão e madalenas para o lanche.

 

Partiu.

Tinha uma avó, tenho uma avó no coração.

Verde

por fadomenor, em 04.09.14

 

Hoje acordei no Minho, tudo era verde, mais verde que o musgo.

Entregaram-me um lenço com um poema.

No Minho as pessoas são altas, carregam cestos cheios, cantam.

Trazem-me frutas, cascatas de vinho, broa e caldo verde.

Jogamos à malha, rimos alto, fomos à missa e abraçamos-nos pra ver passar a procissão. Como vai bonita a Virgem.

Os foguetes cantam com os sinos, certamente que se ouve no céu.

Hoje durmo no Minho.

Bracara

por fadomenor, em 03.09.14

 

Hoje vi-te,

Estavas na Brasileira, fumavas, pensavas.

Notei-te de olhar perdido, ferido.

Estava tentado em aproximar-me, logo desisti.

Acho que me adivinhaste, fingiste.

Entendo.

O homem da flauta que se arrasta, o polícia, a Sé, tudo é real, menos este amor…

Alfama

por fadomenor, em 02.09.14

 

 

Está quente o ar, sufoca.

Lembro já ter sentido, recordo o cheiro e aconchego no peito a carta que escreveste.

Não encontro a razão, enfraqueço.

Anseio falar-te uma derradeira vez, dizer que te amo mais do que a mim.

Resignado, em segredo rezo à Virgem, para que te cubra com o seu manto de estrelas.

Mar

por fadomenor, em 02.09.14

 

Gosto de ti,

Gosto de dizer que gosto de ti.

Gosto do teu sorriso, pequeno e esperto.

Gosto da tua sobrancelha, do teu dedo.

 

Hoje fomos ver o mar,

Aquele das caravelas, que os poetas invocam.

 

Tomei conta, que ainda gosto mais de ti,

Do teu cheiro a alfazema e mel.

Do teu leve gesto .

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